Hipertensão na gravidez: descubra os perigos envolvidos e os cuidados necessários para evitar complicações durante a gestação

hipertensão na gravidezHipertensão na gravidez. Você já ouviu falar a respeito?

É um assunto pouco falado ou falta acesso às informações?

Seja qual for a situação, se conhecemos um pouco mais sobre algo, isso pode se transformar em algo muito valioso para quem sabe um pouco menos que nós.

O tema deste artigo me fez estudar bastante. Pedi ajuda aos universitários. Cruzei informações. E aqui está o resultado.

Apesar de o tema ser direcionado para mulheres, peço aos homens que também leiam, pois, além de “ampliar os horizontes”, a hipertensão na gravidez pode acontecer com alguém próximo (talvez já tenha até acontecido) e suas orientações podem ser de grande auxílio quando menos esperar.

  • Por que algumas mulheres desenvolvem hipertensão na gravidez mesmo não sendo hipertensas?
  • Será que mulheres hipertensas têm mais complicações na gravidez do que as normotensas?
  • Por que isso acontece? É possível evitar?

Perguntas como essas talvez não sejam comuns no dia a dia, mas para quem está pensando em ser mãe (principalmente as de primeira viagem), é bom estar atenta à algumas questões importantes.

Para quem já é, talvez tenha passado por momentos delicados durante a gravidez no que diz respeito ao controle da pressão arterial, ou conheça alguém que já tenha vivido isso.

De qualquer forma, convido homens e mulheres para conhecer mais sobre esse tema.

Por isso, continue lendo esse artigo para saber:

  • Como se classifica a hipertensão na gravidez
  • As principais recomendações e cuidados durante a gestação (e antes dela)
  • Quais os exercícios recomendados (quando recomendados)

Uma visão geral sobre a hipertensão na gravidez


o que é hipertensão na gravidezA hipertensão arterial é a ocorrência mais comum durante a gestação. Está presente em aproximadamente 15% das gestantes, e é a principal causa de mortalidade materna no Brasil.

A gravidez é caracterizada por alterações hormonais, que por sua vez criam mudanças no metabolismo materno, como: a hiperinsulinemia progressiva (que se deve à crescente concentração de estrogênio e progesterona), e a resistência insulínica induzida (devido ao aumento da concentração de cortisol).

Outras mudanças fisiológicas importantes ocorrem na segunda fase da gravidez (a partir da 20ª semana, ou seja, do 5º mês).

A partir da 20ª semana, mulheres podem se tornar obesas aumentando o risco de complicações (para a mãe e para o bebê).

Somado a isso, a resistência insulínica aumenta a retenção de sódio, que por sua vez retém líquidos, favorecendo o aumento da pressão arterial.

Por esses motivos, há um aumento no risco de desenvolver a hipertensão na gravidez e suas complicações, como: alteração no fluxo sanguíneo da placenta, restrição do crescimento fetal, entre outros que veremos mais adiante.

Classificação da hipertensão na gravidez


A Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) utiliza a seguinte classificação para as doenças hipertensivas durante a gestação:

Hipertensão crônica preexistente

É a hipertensão que já existe na mulher antes da gravidez ou quando diagnosticada antes da 20ª semana de gestação.

Quando acontece a segunda situação, é porque a mulher já era hipertensa e não sabia.

Se caracteriza por valores ≥ (maior ou igual) a 140/90 mmHg, aferidas em duas ocasiões diferentes no mesmo dia. Quanto maior for os valores (hipertensão descontrolada), maior o risco de parto prematuro e baixo peso do bebê ao nascer, entre outras complicações.

Daí a importância de manter a pressão arterial controlada antes da gestação quando há o planejamento de engravidar.

Mas, independentemente da situação, é fundamental manter a hipertensão sob controle.

E como fazer isso?

Além de sempre respeitar os horários e as dosagens do(s) medicamento(s), adotar hábitos saudáveis faz toda a diferença.

Tem um artigo inteiro só falando sobre como manter a pressão controlada usando práticas simples durante o dia a dia. É só clicar aqui.

Existem vários exames recomendados antes da gestação. Aqui chamo a atenção para apenas alguns. São eles:

  • Urocultura, proteinúria de 24 horas, hemograma completo e teste de tolerância à glicose.
  • Eletrocardiograma e ecocardiograma.

Você pode ver a lista detalhada dos exames recomendados neste texto dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia.

A pressão arterial se “comporta” da seguinte forma durante a gravidez: no primeiro trimestre tem uma pequena queda, no segundo tem uma queda mais acentuada e no terceiro trimestre a pressão volta ao normal.

Essa redução é fisiológica, ou seja, acontece em todas as grávidas, hipertensas ou não.

Por esse motivo, a maioria das mulheres hipertensas de baixo risco não precisa de medicação anti-hipertensiva durante a primeira metade da gestação (até o início do 5º mês).

Porém, se houver um aumento da pressão arterial que possa desenvolver complicações maternas o tratamento deve ser iniciado com o objetivo de manter os valores próximos a 140/90 mmHg.

Mas atenção! Só quem vai definir a interrupção ou a continuidade da medicação é o(a) médico(a) que te acompanha. Por isso, não deixe de fazer o pré-natal!

Pré-eclâmpsia/eclâmpsia

A pré-eclâmpsia é uma síndrome caracterizada pela presença de hipertensão arterial e proteinúria (que é a perda de proteínas pela urina), que se manifesta após a 20ª semana de gravidez.

Ocorre em 5% a 8% das gestantes, e pode estar associada a problemas no fígado, nos rins e no sistema nervoso central.

A pré-eclâmpsia é classificada de três formas: leve, grave e eclâmpsia.

Pré-eclâmpsia leve

A pré-eclâmpsia é considerada leve quando:

  • A pressão arterial encontra-se ≥ 140/90 mmHg após 20ª semana de gestação em mulheres normotensas antes da gravidez.
  • No exame de urina de 24h aparecer “proteinúria de 1+” (em duas amostras de urina com 4-6 horas de intervalo), sem a presença de infecção urinária.
  • Há sintomas como cefaleia, tonturas, visão borrada, escotomas (alteração no campo visual); ou sintomas digestivos, como dor epigástrica (estômago), náuseas ou vômitos; ou ainda trombocitopenia (baixa quantidade de plaquetas no sangue) e alteração de enzimas hepáticas.

Pré-eclâmpsia grave

A pré-eclâmpsia é considerada grave quando apresenta um ou mais dos seguintes critérios abaixo:

  • Pressão arterial ≥ 160/110 mmHg, em duas aferições com intervalo de 6 horas.
  • No exame de urina de 24h aparecer valores iguais ou maiores que 5 gramas ou 3+ (em duas amostras de urina coletadas com intervalo de 4 horas).
  • Volume de urina menor que 500 ml em 24h.
  • Distúrbios visuais (visão borrada, cegueira) ou cerebrais (cefaleia e alteração do estado mental).
  • Síndrome de HELLP: HELLP é uma sigla em inglês que está relacionada à hemólise (destruição dos glóbulos vermelhos, levando à anemia), aumentos das enzimas do fígado (lesão hepática) e redução das plaquetas.

Como a lista de sintomas e características dessa forma mais grave da pré-eclâmpsia é extensa, aqui está o link para que você conheça os demais critérios, caso tenha interesse.

Eclâmpsia

É o grau mais grave da hipertensão na gravidez. A eclâmpsia é o surgimento de convulsões em grávidas com pré-eclâmpsia ou hipertensão gestacional, e está associada ao aumento da mortalidade materna.

Até 30% das convulsões podem ocorrer no momento do parto ou até 48h após o nascimento do bebê, porém podem ocorrer convulsões até 14 dias após o parto.

Por isso, as mamães com pré-eclâmpsia devem ser orientadas sobre a possibilidade desta complicação tardia, reconhecer sintomas e procurar ajuda especializada o mais rápido possível.

Neste quadro mais grave da hipertensão, existem complicações tanto para a mãe quanto para o baby. Para a mãe, as mais comuns são:

  • Síndrome de HELLP.
  • Edema pulmonar.
  • Acidente vascular cerebral (AVC).

Já para o baby, as complicações mais frequentes são:

  • Nascimento prematuro.
  • Hipóxia (diminuição das taxas de oxigênio no sangue) com lesão neurológica.
  • Morbidade cardiovascular em longo prazo associada ao baixo peso ao nascer (abaixo de 2,5 kg).

Pré-eclâmpsia superposta à hipertensão crônica

É a pré-eclâmpsia que ocorre em mulheres já hipertensas, após a 20ª semana de gestação.

Neste caso, há o surgimento de proteinúria (maior que 0,3 g em 24h) ou um aumento em quem já apresentava alterações no exame de urina. Ou ainda um aumento súbito da pressão arterial, ou alteração clínica ou laboratorial característica de pré-eclâmpsia (descritas anteriormente).

Hipertensão gestacional

Já a hipertensão gestacional é o aumento da pressão arterial que surge após a 20ª semana de gestação sem perdas de proteína na urina em mulheres normotensas antes da gravidez.

Esta situação pode representar uma hipertensão transitória (se a pressão retornar ao normal até 12 semanas do parto), ou ainda uma hipertensão crônica (se a pressão persistir elevada).

Mamães com a pressão arterial persistente acima de 160/110 mmHg tem maiores chances de complicações, como descolamento prematuro da placenta, parto prematuro, além das complicações já citadas aqui no artigo.

Importante saber que mesmo que a pressão arterial se normalize dentro do período de 12 semanas após o parto, mulheres que tiveram hipertensão gestacional têm maiores chances de se tornarem hipertensas no futuro.

Possíveis causas e fatores de risco para desenvolver a hipertensão na gravidez


fatores de risco hipertensão na gravidezMesmo não sabendo a causa exata da hipertensão na gravidez e da pré-eclâmpsia/eclampsia, é possível entender alguns pontos fisiológicos importantes que acontecem entre mãe e feto.

A placenta, órgão que une o feto com a mãe, é responsável pelas trocas gasosas e de nutrientes, remoção de resíduos, produção de hormônios e proteção imunológica do bebê.

Porém, em alguns casos, essa conexão da mãe com a placenta e o feto pode ser péssima do ponto de vista imunológico. O bebê libera proteínas na circulação materna que provoca uma resposta imunológica da mãe.

Tal resposta atinge as paredes internas dos vasos sanguíneos, gerando uma vasoconstrição.

Já vimos neste artigo, que a vasoconstricção é a diminuição do calibre dos vasos, que por sua vez leva ao aumento da resistência da passagem do sangue. Para vencer a resistência, o coração bombeia o sangue com mais força, o que causa a elevação da pressão arterial.

E ainda, mecanismos hormonais, alterações na formação da placenta e pré-disposição genética também podem estar envolvidos no processo de desenvolvimento da hipertensão e agravamento dela no período gestacional.

Existem alguns fatores de risco para o desenvolvimento da hipertensão na gestação.

Isso não significa que a mulher que apresentar algum dos fatores abaixo ficará hipertensa ou terá pré-eclâmpsia durante esse período.

Mas, como o próprio nome já diz, são “fatores de risco”. São eles:

  • Primeira gestação
  • Gravidez durante a adolescência
  • Gravidez de gêmeos ou mais
  • Gestantes com mais de 35 anos (algumas referências falam acima de 40 anos)
  • Gestantes com descendência negra
  • Histórico familiar (mãe ou irmã) ou pessoal de pré-eclâmpsia
  • Obesidade antes da gravidez
  • Hipertensão, diabetes, lúpus, problemas renais ou algum outro problema crônico que afete o sistema circulatório

Recomendações


recomendações hipertensão na gravidezAs recomendações variam para cada caso.

Em geral, uma alimentação com restrição de sal e açúcar, controle regular da pressão arterial e controle do ganho de peso devem fazer parte de todo o período de gestação.

Nos casos onde a hipertensão e a pré-eclâmpsia são consideradas leve, a prática de exercícios físicos leves pode ser recomendada.

Em casos mais graves, a recomendação é repouso e até internação com medicação anti-hipertensiva.

Lembre-se! » Fazer o pré-natal conforme orientação médica, faz parte da lista de todas as grávidas!

Exercícios físicos (quando recomendados)

A prática de exercícios físicos durante a gestação vai depender de cada caso.

O ideal seria que a gestante hipertensa praticasse algum exercício de intensidade leve. Isso ajudaria a controlar o ganho de peso, fortalecer a musculatura (principalmente a responsável pela postura) e manter o condicionamento cardiorrespiratório.

Porém, apenas a(o) obstetra poderá avaliar cada caso, liberando ou não para a prática de exercícios.

Quando liberados, os exercícios devem ser iniciados após a 12ª semana de gestação.

Os exercícios recomendados são os aeróbicos de baixo impacto: caminhada, bicicleta (de preferência a ergométrica), hidroginástica e exercícios de relaxamento.

É preciso também ter atenção com o ritmo dos movimentos, a sobrecarga e o tempo da aula, que devem ser diminuídos.

De uma a duas sessões (aulas) por semana, com duração de 30 minutos cada é uma margem segura para que grávidas hipertensas se exercitem.

» Importante! Deve-se aferir a pressão antes e depois da sessão (aula).

Conclusão


exercícios hipertensão na gravidezSei que o assunto é complexo, mas é fundamental que você conheça um pouco ou pelo menos fique naquela frase “já ouviu falar” dos distúrbios hipertensivos na gravidez.

Mas, para resumir o que falamos aqui e complementar o assunto, aqui vai alguns pontos que quero chamar mais atenção:

#1. O peso antes de engravidar é um fator que influencia o ganho de peso durante a gravidez.

Se você pensa em engravidar, é importante que esteja com um peso adequado e com o percentual de gordura dentro da normalidade.

Vale lembrar que nem sempre um IMC normal quer dizer que o percentual de gordura esteja normal.

Daí a importância de hábitos saudáveis “desde sempre”.

#2. Na lógica de que “prevenir é melhor que remediar”, a alimentação saudável, os exercícios físicos e a pressão arterial sob controle ainda são os mais recomendados para uma melhor qualidade de vida.

Mas é claro que não apenas eles. Por isso recomendo (mais uma vez) que leia o artigo com 7 práticas simples para ajudar a controlar a sua pressão e deixar sua vida mais saudável.

#3. Tentar programar com antecedência a gravidez, para que ela aconteça em um momento em que a pressão arterial esteja controlada.

Não só a pressão, mas que todos os outros aspectos da sua vida estejam em harmonia: alimentação saudável, exercícios físicos regulares, noites de sono com qualidade, planejamento financeiro, controle da ansiedade… e por aí vai.

#4. Faça o pré-natal!

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