Remédio para hipertensão e exercício físico: conheça a importante relação entre eles

betabloqueadores e exercício físico

Lembre-se que as pessoas podem tirar tudo de você, menos o seu conhecimento. ~ Albert Einstein

Você pode estar se perguntando neste momento: “o que meu remédio para pressão alta tem a ver com o exercício que eu faço?”

A frase de Albert Einstein descrita acima já pode te dar parte da resposta.

Quando conhecemos coisas importantes, principalmente que dizem respeito a nossa saúde, ficamos mais ligados às possíveis mudanças que podem ocorrer no nosso corpo com o passar dos anos.

O conhecimento sobre o que o medicamento pode fazer no seu organismo durante o exercício é fundamental, não só para você, como para o professor de educação física que vai te orientar.

Quando conhecemos sobre o assunto, sabemos conversar, fazer perguntas e, principalmente, ter dúvidas. Podemos fazer críticas ou apoiar com mais consciência.

E o mesmo vale para todo tipo de medicamento que tomamos. É importante saber para que serve e quais os possíveis efeitos colaterais.

Não vou falar para você sair por aí lendo todas as bulas dos remédios que toma, mas é sempre bom conhecer o que se ingere.

Por isso, neste artigo você vai conhecer:

  • As principais questões que você precisa ter em mente e saber respondê-las quando for perguntado.
  • Os principais tipos de medicamentos para hipertensão.
  • As relações entre medicamentos anti-hipertensivos e exercício físico.

O que você precisa saber sobre seu medicamento?


Vamos lá!

Nesta parte quero (preciso) te fazer algumas perguntinhas.

Não que você precise me responder, mas que você saiba responder com clareza.

Esse tipo de conhecimento é importante, pois pode fazer toda a diferença na hora de realizar algum exame de análise clínica (sangue e urina, por exemplo) ou um teste de esforço, ou mesmo responder um simples questionário em uma entrevista de emprego ou para entrar em uma academia.

Parecem óbvias, mas tenho visto muitas pessoas com dúvidas a respeito do remédio que toma.

Essas simples questões valem tanto para os remédios de hipertensão, como para qualquer outro medicamento de uso regular (aquele que se utiliza todos os dias).

Questões importantes

questões importantes betabloqueadores e exercício físico

  1. Qual o nome do medicamento?
  2. Porque você está tomando?
  3. Para que está tomando?
  4. De que forma ele deve ser tomando?
  5. Ele pode causar algum efeito colateral?
  6. O que você deve fazer caso tenha algum dos efeitos?
  7. Você pode tomar com outro medicamento? Será que não vai interferir?
  8. Existem alimentos, bebidas alcoólicas ou atividades (dirigir, por exemplo) que devem ser evitadas?

Faça essas perguntas a você mesmo, ou “treine” com um(a) amigo(a) que também tome algum medicamento de forma regular.

Esse “treino” será ainda melhor se ele(a) tiver hipertensão e tomar um remédio diferente do seu. Será uma forma de ampliar seus conhecimentos.

Os principais tipos de medicamentos para hipertensão


Existem diversos tipos de medicamentos para controlar a hipertensão arterial.

Não existe um melhor que o outro, mas sim aquele que é capaz de manter sua pressão dentro dos valores normais, te tirando da zona de “perigo”.

Alguns interferem no funcionamento do seu organismo durante o exercício, sendo de extrema importância conhecê-los.

Por isso, em suas consultas periódicas, informe ao seu médico que vai iniciar um exercício físico ou que já pratica. Informe também o horário que pratica, pois talvez seja necessário ajustar a hora em que tomará sua medicação.

Você vai encontrar pessoas que fazem uso de apenas um tipo de remédio, outras usam até três ou quatro tipos. Isso depende de cada caso.

Então, a lista que segue abaixo não precisa ser decorada, mas precisa ser conhecida.

Diuréticos

Os diuréticos são considerados uma das melhores opções para o controle da hipertensão. Podem ser utilizados sozinhos ou com outros medicamentos anti-hipertensivos.

Conhecidos por aumentar a necessidade de urinar, eles agem eliminando eletrólitos (sódio, potássio e cloreto) e água do organismo.

Uma explicação para isso é que ao urinar mais, você reduz a quantidade de líquidos circulantes na corrente sanguínea e, consequentemente, diminui a pressão nas artérias, controlando a hipertensão.

Entre os efeitos colaterais mais comuns, estão:

  • O agravamento dos níveis de glicose nos diabéticos (este efeito geralmente só ocorre em doses elevadas)
  • Elevação do ácido úrico
  • Hipocalemia (potássio sanguíneo baixo)
  • Hiponatremia (sódio sanguíneo baixo)
  • Hipercalemia (excesso de potássio no sangue)
  • Cãibras
  • Cefaleia (dor de cabeça)
  • Desidratação

Lembrando que esses efeitos variam para cada pessoa, cada situação, cada dosagem. O que significa que não necessariamente acontecerá com você.

Os diuréticos mais utilizados são:

  • Hidroclorotiazida
  • Furosemida
  • Indapamida
  • Clortalidona
  • Metolazona
  • Espironolactona

Inibidores da enzima conversora da angiotensina (inibidores da ECA)

Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) reduzem ou inibem a produção pelo próprio organismo de uma substância chamada angiotensina.

A angiotensina provoca o estreitamento dos vasos sanguíneos. Quando ela é inibida, os vasos se relaxam facilitando a passagem sangue. Consequentemente, isso produz uma redução na pressão arterial.

Geralmente, eles são utilizados em pessoas com as seguintes características:

  • Diabéticos
  • Pessoas com hipertrofia do ventrículo esquerdo
  • Pessoas com insuficiência cardíaca
  • Pessoas que já sofreram um infarto do miocárdio
  • Pessoas com proteinúria (presença de proteínas na urina)
  • Pessoas com insuficiência renal crônica

O efeito colateral mais desconfortável desse tipo de medicamento é a tosse.

Entre os inibidores da ECA mais utilizados estão:

  • Captopril
  • Enalapril
  • Benazepril
  • Cilazapril
  • Lisinopril
  • Perindopril
  • Ramipril

Antagonistas do receptor da angiotensina II (ARA II)

Essa classe de medicamentos apresenta mecanismos de ação semelhantes aos inibidores da ECA, porém não causam tosse.

Eles reduzem a pressão arterial bloqueando uma substância chamada angiotensina II. A angiotensina II normalmente estreita os vasos sanguíneos e esse tipo de remédio faz com que eles relaxem.

Algumas pessoas podem apresentar os efeitos colaterais, como:

  • Tontura
  • Fadiga
  • Urticária
  • Alteração de paladar
  • Aumento da sensibilidade da pele ao sol

Os ARA II mais utilizados são:

  • Losartana
  • Valsartana
  • Candesartana
  • Irbesartana
  • Olmesartana
  • Telmisartana

Inibidores dos canais de cálcio

Os inibidores dos canais de cálcio bloqueiam a entrada de cálcio nas células dos vasos sanguíneos. O cálcio atua no processo de contração ou estreitamento desses vasos.

Assim, esses inibidores (ao inibirem a entrada de cálcio nas células) reduzem a pressão arterial por diminuírem a resistência vascular periférica, melhorando o fluxo sanguíneo no sistema circulatório.

O efeito colateral mais comum é o edema (inchaço) nos pés e pernas.

Os inibidores mais utilizados são:

  • Amlodipina
  • Nifedipina
  • Lercanidipina
  • Felodipina

Betabloqueadores (ou bloqueadores beta-adrenérgicos)

A utilização de betabloqueadores produz numerosos efeitos no organismo que levam a redução da pressão arterial.

Por exemplo, a redução da frequência cardíaca, do débito cardíaco (que é o volume de sangue ejetado pelo coração a cada minuto) e da resistência vascular periférica.

O uso deste tipo de medicamento para controlar a pressão arterial pode, também, apresentar efeitos benéficos em pessoas com:

  • Angina de peito
  • História de infarto do miocárdio
  • Insuficiência cardíaca
  • Fibrilação atrial
  • Hipertireoidismo
  • Enxaqueca
  • Hiperidrose
  • Distúrbios de ansiedade (geralmente jovens)
  • Tremor essencial

Porém, não deve ser utilizados em pessoas com asma ou pessoas com frequência cardíaca basal abaixo dos 60 batimentos por minuto.

Alguns efeitos colaterais são:

  • Insônia
  • Quadro depressivo
  • Em diabéticos insulinodependentes podem levar à hipoglicemia
  • Em diabéticos não dependentes de insulina, pode haver elevação da glicemia
  • Podem diminuir o HDL e triglicerídeos
  • Broncoespasmo (dificuldade para respirar)
  • Bradicardia (diminuição da frequência cardíaca em repouso)
  • Disfunção sexual

Os betabloqueadores ainda reduzem a capacidade do organismo durante o exercício, interferindo nas respostas circulatórias e metabólicas.

Essas interferências levam ao aparecimento precoce do cansaço e à percepção subjetiva de esforço mais elevada. Ou seja, fica mais difícil realizar o exercício.

Os mais utilizados são:

  • Atenolol
  • Propranolol
  • Bisoprolol
  • Metoprolol
  • Carvedilol
  • Nebivolol

As relações entre medicamentos anti-hipertensivos e exercícios físicos


Apesar de ser um assunto com muitos termos técnicos, acredito que seja extremamente importante conhecer sobre o tipo de remédio que se ingere e o que ele pode fazer por você durante o exercício.

Mesmo havendo muitos medicamentos para controlar a hipertensão, os mais citados pela literatura científica são os diuréticos, os inibidores dos canais de cálcio e os betabloqueadores.

No meu dia a dia, tenho visto que os médicos também tem recomendado o uso destes medicamentos aos meus alunos.

Os betabloqueadores reduzem a contratilidade miocárdica (menor força para contrair o coração), que, como consequência, diminui o débito cardíaco e a frequência cardíaca durante o exercício. Por isso, o cansaço precoce.

Além disso, diuréticos e betabloqueadores atrapalham a termorregulação corporal (ajuste da temperatura) e aumentam o risco de hipoglicemia.

Logo, os anti-hipertensivos mais recomendados para hipertensos fisicamente ativos, praticantes de exercícios físicos regulares e atletas amadores, segundo a literatura, são:

  • os inibidores da enzima conversora da angiotensina (inibidores da ECA)
  • os antagonistas do receptor da angiotensina II (ARA II)
  • inibidores dos canais de cálcio

Conclusão


conclusão betabloqueadores e exercício físico

Espero que você tenha gostado do artigo e que ele possa orientá-lo no seu cotidiano.

Veja que existem questões simples, porém muito importantes, como: “Qual o nome do medicamento?”, “Porque você está tomando?” que você precisa saber responder para ter uma maior segurança na prática do exercício no dia a dia.

Existem vários tipos de medicamentos anti-hipertensivos, e neste artigo vimos os mais citados tanto na literatura científica, como nas receitas médicas dos meus alunos.

São eles:

  • Diuréticos
  • Inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA)
  • Antagonistas do receptor da angiotensina II (ARA II)
  • Inibidores dos canais de cálcio
  • Betabloqueadores (ou bloqueadores beta-adrenérgicos)

Seja qual for o medicamento que você tome, o mais importante é que ele:

  • Baixe sua pressão arterial, não apenas em repouso, mas também durante o esforço;
  • Diminua a resistência vascular periférica, melhorando a circulação sanguínea;
  • Não influencie negativamente na sua capacidade de realização do exercício.

» Importante! Anote aí:

  • Nunca pare o tratamento! Procure sempre orientação dos profissionais da saúde (médicos e enfermeiros) caso ocorra qualquer efeito colateral devido ao uso do seu medicamento.
  • Procure orientação de um profissional de educação física para uma prática consciente e segura do exercício.
  • Se estiver treinando sozinho, não termine o treino de forma abrupta. É importante que tenha um período de esfriamento mais longo para que o corpo retorne aos níveis de pressão arterial e frequência cardíaca que estavam antes de iniciar o treino (veja mais sobre como treinar aqui).

Achou o conteúdo importante? Então, ajude a melhorar o dia a dia de outras pessoas compartilhando esse artigo.

Caso tenha alguma dúvida, deixe um comentário logo abaixo. A sua dúvida, pode ser a dúvida de outras pessoas.

Fique atualizado!

Insira o seu e-mail abaixo para receber gratuitamente as atualizações do Hipertenso em Movimento!

Referências
  • Anselmo Perez

    Excelente Kamilla! Mais uma vez as informações são claras e esclarecedoras. Muito bom.

    • Muito obrigada, Anselmo! Sua opinião é muito importante para a qualidade deste trabalho.

      Abraço!

  • Analice

    Muito bom Kamilla. Foi surpresa saber que, o beta bloqueador que tomo (atenolol 25), causa cansaço precoce durante o exercício. Achava que fosse o contrário, pelo medicamento diminuir a frequência cardíaca, precisava de atividade mais intensa para sentir o esforço.
    Abraço.

    • Oi, Analice! Obrigada pelo seu comentário.

      Pois é… o betabloqueador reduz a capacidade física-cardíaca, e durante o exercício fica evidente… daí o cansaço precoce.

      Por isso é importante o controlar a sessão de exercícios pela Escala de Borg (explico como usar nesse artigo aqui >> http://hipertensoemmovimento.com/exercicio-para-hipertensos/ ).

      Abraço!